Com a franquia completando seus 30 anos em 2026, e com o lançamento de um novo jogo, esse é o momento de relembrar um pouco sua história e impacto no mundo dos games e da cultura pop.

Tudo começou em uma mansão

Se hoje é impossível fugir do hype da franquia, com cada novo jogo sendo uma das obras mais esperadas em seus respectivos anos, é difícil se lembrar de um tempo no qual ninguém tinha certeza se a franquia iria vingar. Nos anos 90, CAPCOM era conhecida principalmente por seus jogos de luta, com Street Fighter liderando as massas, e seus beat’em ups, o famoso “bater e correr” dominando os fliperamas da época.

Lançado em 1996, o primeiro Resident Evil causava uma forte impressão logo que iniciado, apresentando uma introdução com atores reais interpretando os personagens sendo atacados por misteriosas criaturas, que o próprio jogador enfrentaria ao longo da experiência, enquanto tentam adentrar uma mansão. Em seguida, cortava para uma sequência bombástica, introduzindo cada um dos personagens.

Pode parecer um tanto brega hoje em dia, mas era quase como uma declaração: não, não são as ideias mais originais do mundo, mas você nunca as viu executadas desse jeito. Sob o comando do grupo S.T.A.R.S. (Serviço de Resgate e Táticas Especiais), o game permite que o jogador escolha entre dois personagens, Jill Valentine ou Chris Refield, cada um com suas próprias habilidades, e iniciar sua jornada de horror pela mansão.

Cuidado ao virar o corredor…

E não demora muito para o jogador conhecer o que lhe esperaria pela jornada à frente: os zumbis. Assustador e sufocante, Resident Evil coloca os jogadores em um ambiente confinado, com pouca mobilidade, onde a sobrevivência é determinada pela estratégia, pelo manuseio de recursos e pela rápida adaptação. Tudo isso acompanhado pela exploração e resolução de quebra-cabeças, elevado por sua câmera fixa e pelos controles duros — conhecidos como controle de “tanque” na época. Estava feita a fórmula para os primeiros jogos da franquia.

Um gameplay similar já havia sido visto na franquia Alone in the Dark, relação apontada por muitos críticos da época. Porém, foi a maneira como o time por trás de Resident Evil, liderados pelo diretor Shinji Mikami, executou suas ideias que fez toda a diferença. Seus cenários eram pré-renderizados, uma forma de contornar as limitações técnicas do PlayStation 1 e entregar visuais ricos em detalhes. Dessa forma, o player ficava sempre alerta a todo momento — até ao abrir cada uma das portas.

Cena de Resident Evil (1996): Primeiro encontro com zumbi (Foto: Reprodução/Resident Evil Portal)

Sucesso e expansão da franquia

Com o sucesso do primeiro game, a franquia viria a ganhar mais duas sequências, completando a “trilogia do PlayStation 1”, na qual fomos apresentados ao personagem favorito dos fãs, Leon S. Kennedy, ao vilão Nêmesis, à cidade de Raccoon City e à corporação Umbrella, principal antagonista dos primeiros jogos.

Enquanto outras franquias levaram décadas para marcar estreia nos cinemas, a primeira adaptação de Resident Evil chegou relativamente cedo. Lançado em 2002, sob direção de Paul W.S. Anderson — que anteriormente havia levado a franquia dos games Mortal Kombat às telonas em 1995 — e protagonizado por Milla Jovovich, “Resident Evil: O Hóspede Maldito” foi o primeiro longa da franquia, que contou com mais cinco sequências para o cinema e um reboot em 2021, na forma de “Resident Evil: Bem-Vindos a Raccoon City”, isso sem falar nos filmes animados em 3D que fazem parte da cronologia dos games.

O futuro da franquia

É interessante pensar que a franquia Resident Evil ainda permanece entre nós, enquanto outras franquias de survival horror da época, não conseguiram se adaptar aos tempos e entraram em hiato, sem novos jogos. Tudo isso é um atestado ao gigante da CAPCOM: uma franquia que sempre buscou se reinventar e permanecer sob o olhar do público.

Aliás, não podemos deixar de citar Resident Evil 4, lançado em 2005, que trouxe a perspectiva em terceira pessoa, sobre os ombros, para a franquia e revolucionou por completo o gênero survival horror. Outros jogos, como Dead Space, lançado em 2008, tomaram nota e se inspiraram em suas mecânicas e estilo.

No ano de 2026, a franquia segue a todo vapor, com Resident Evil: Requiem, sendo um dos jogos mais aguardados do ano. Por outro lado, está marcado um reboot para o cinema, sob o comando de Zach Cregger, diretor de “A Hora do Mal”.

Resident Evil: Requiem — Arte promocional apresenta Leon S. Kennedy e Grace Ashcroft. (Foto: Reprodução/Instagram @re_games)

É difícil pensar no gênero survival horror e não lembrar em Resident Evil hoje em dia, com trinta anos de sucesso e nenhuma intenção de parar. Assim como os zumbis dos jogos, a franquia sempre retorna com um novo truque para desafiar seus fãs e conquistar novas pessoas.