O universo de “Sobrenatural” ganha uma nova porta de entrada com “Sobrenatural: Agora Entre Nós”, sexto filme da franquia de terror! Dirigido por Jacob Chase, o filme acompanha Gemma (Amelia Eve), uma jovem mãe que retorna para a casa onde cresceu ao lado da filha Maya (Island Austin). A princípio, a mudança parece representar uma oportunidade de recomeço. Porém, acontecimentos sobrenaturais fazem com que ela descubra uma habilidade capaz de mudar completamente sua relação com O Além.

O longa chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (20). A produção apresenta uma família inédita, uma ameaça diferente e o retorno de personagens conhecidos da franquia. O Festival Teen conferiu o filme na pré-estreia e, agora, traz uma crítica com spoilers sobre o novo capítulo da saga.

Uma nova família e um dom que atravessa gerações

A história começa quando Gemma descobre que consegue realizar projeção astral. O dom, porém, não é exatamente uma novidade para sua família. A mãe da protagonista também possuía essa habilidade e, agora, o poder chega até Gemma e começa a se manifestar em Maya.

A ideia amplia uma das características mais conhecidas de “Sobrenatural”. Assim como Josh Lambert (Patrick Wilson) e Dalton Lambert (Ty Simpkins), Gemma consegue atravessar para uma dimensão habitada por espíritos.

A diferença é que o novo filme vai além. Por causa da habilidade da protagonista, algumas entidades também conseguem atravessar para o mundo dos vivos.

Cyrus e as novas ameaças do Além

É nesse momento que surge Cyrus (Sam Spruell), o novo demônio da franquia e principal ameaça da história. A entidade passa a perseguir Gemma e Maya enquanto tenta usar o poder da família a seu favor. Outros espíritos também aparecem ao longo da trama. Entre eles estão os vizinhos que vivem em frente à casa de Gemma e observam a família desde o início.

A produção ainda apresenta Nick (Brandon Perea), um policial que se aproxima de Gemma e passa a ficar ao lado dela. A relação entre os dois também ganha um toque de romance. Já Claire (Maisie Richardson-Sellers) é uma tatuadora que se torna uma ponte entre Gemma e Elise Rainier (Lin Shaye). Mais uma vez, a icônica médium assume o papel de guia diante do sobrenatural.

Por meio de Claire, Elise consegue transmitir informações para Gemma e ajudá-la a compreender as entidades que a cercam. Dessa forma, sua presença também mantém a ligação com os filmes anteriores.

Quando o terror dá espaço para a aventura

É justamente nessa mudança que está uma das maiores diferenças entre o novo filme e os primeiros capítulos.

Os dois primeiros “Sobrenatural”, dirigidos por James Wan, continuam sendo os que mais conseguem transmitir a sensação de medo. A tensão estava presente mesmo quando nada acontecia na tela. Já em “Sobrenatural: Agora Entre Nós”, essa atmosfera aparece principalmente no começo. Existem sustos e momentos que criam expectativa. Porém, conforme a história avança, o terror vai ficando em segundo plano.

A produção passa a explorar mais as criaturas, a mitologia e as possibilidades da projeção astral. Com isso, o resultado se aproxima mais de uma aventura sobrenatural do que de um filme de terror tradicional.

E isso fica ainda mais evidente durante a sessão. Em alguns momentos, foi mais fácil rir das criaturas do que sentir medo delas. Ainda assim, o longa apresenta boas ideias e busca ampliar o universo criado pela franquia. “Sobrenatural: A Origem”, por exemplo, ainda conseguia contar uma história diferente sem abandonar completamente o clima de terror.

Nos filmes seguintes, essa característica foi ficando um pouco mais distante. Agora, essa mudança se torna ainda mais evidente com a direção de Jacob Chase, que preserva elementos reconhecíveis da saga, mas aposta em uma abordagem mais próxima da aventura.

Elise mantém viva a essência de “Sobrenatural”

Mesmo com a mudança de tom, existe uma personagem capaz de aproximar o novo capítulo de suas origens.

Elise Rainier (Lin Shaye) retorna para ajudar Gemma e, mais uma vez, rouba a cena. A médium continua carismática e funciona como uma ponte entre a nova história e os filmes anteriores. Sempre que Elise aparece, o longa ganha outro ritmo. Sua presença ajuda a manter viva a identidade construída pela franquia ao longo dos anos.

Por outro lado, Specs (Leigh Whannell) e Tucker (Angus Sampson) não aparecem no sexto filme. A dupla, que acompanhou Elise em suas investigações nos capítulos anteriores, dá lugar aos novos personagens que passam a auxiliar Gemma.

O filme também recupera figuras conhecidas, como o Demônio do Rosto Vermelho e a Noiva de Preto. Entretanto, essas aparições funcionam mais como referências do que como elementos realmente desenvolvidos pelo roteiro.

A escolha reforça a sensação de renovação proposta pelo longa. Ao mesmo tempo, mostra que a franquia pretende seguir por um caminho diferente, mesmo mantendo algumas de suas figuras mais conhecidas.

Uma nova porta se abre para a franquia

Ao colocar Gemma e Maya no centro da história, o filme também aposta no drama familiar. A protagonista precisa compreender o próprio dom para proteger a filha, mas esse aspecto acaba tendo menos força do que a trama sobrenatural.

No terceiro ato, Gemma aprende a controlar melhor sua habilidade e enfrenta Cyrus no plano astral. Além disso, os próprios espíritos que estavam ao lado do demônio se voltam contra ele e contribuem para sua derrota. Na cena pós-créditos, Cyrus reaparece no plano astral, sentado em uma cadeira de dentista, enquanto outra entidade o confronta após sua falha. O momento funciona como uma indicação de que a nova fase pode continuar. Será?

Com uma família inédita, um novo demônio e outras possibilidades para sua mitologia, “Sobrenatural: Agora Entre Nós” encontra maneiras de expandir a franquia. Entretanto, essa expansão também evidencia a mudança de tom da saga.

Veredito final

O terror que marcou os primeiros filmes dá espaço para uma aventura sobrenatural. Os sustos aparecem de forma pontual e, em alguns momentos, as criaturas provocam mais risadas do que medo.

Para quem busca uma nova história dentro desse universo, o longa apresenta elementos interessantes. Já para quem espera a atmosfera dos primeiros capítulos, a experiência pode ser menos satisfatória. No fim, a principal diferença está justamente na sensação deixada pela sessão: “Sobrenatural: Agora Entre Nós” consegue divertir, mas assusta bem menos do que seus primeiros capítulos.

“Sobrenatural: Agora Entre Nós” já está nos cinemas brasileiros. O novo capítulo abre outras portas para a franquia, mas também deixa uma questão no ar: será que todas elas precisavam ser abertas?