Imagina se apaixonar no seu maior rival? É com essa mistura de tênis, romance, saúde mental e representatividade LGBTQIAPN+ que Edward Schmit apresenta “Abrindo o Jogo”, seu primeiro romance. A história acompanha Austin Hardy, que faz história ao se tornar o primeiro homem assumidamente gay a competir em um Grand Slam.
Durante duas semanas no US Open, em Nova York, Austin precisa lidar com a pressão de uma grande competição, a atenção da mídia sobre sua sexualidade e um novo e bonito rival do outro lado da rede.
E a ideia para essa história surgiu de uma experiência do próprio autor. Em 2021, Edward começou a jogar tênis enquanto buscava uma forma de cuidar da saúde mental. O que começou como uma nova atividade rapidamente virou uma paixão.
“Procurei tenistas assumidamente LGBTQIAPN+ para acompanhar e apoiar, mas não encontrei nenhum homem assumidamente gay”, conta.
A falta de representatividade fez Edward começar a pensar em como seria a história do primeiro tenista masculino gay a disputar um Grand Slam. Foi assim que Austin nasceu.
Austin não queria ser um símbolo
No livro, Austin já está completamente confortável com sua sexualidade. Ele se assumiu no ensino médio e não enfrentou grandes conflitos com isso. O problema aparece quando ele chega ao US Open e sua vida pessoal passa a receber muito mais atenção do que ele esperava.
“Austin se sente confortável sendo gay, mas se sente desconfortável com a narrativa que a mídia cria em torno disso”, explica Edward.
O personagem passa a carregar uma responsabilidade que nunca pediu para ter. Ao mesmo tempo em que quer simplesmente jogar tênis e conquistar um troféu, ele percebe que sua presença pode representar muito para outros atletas LGBTQIAPN+.
Essa relação entre identidade e representatividade foi uma das questões que Edward quis explorar na história.
A saúde mental também entra em quadra
Austin tem apenas 20 anos e está começando sua carreira profissional. Além da pressão de competir em um dos maiores torneios do mundo, ele também enfrenta o transtorno de ansiedade generalizada e tem dificuldade para pedir ajuda.
Para Edward, falar sobre saúde mental no esporte é essencial. O autor se inspirou em atletas que já compartilharam publicamente suas experiências, como Simone Biles e Naomi Osaka.
“Para ter o melhor desempenho possível em quadra, você precisa estar confiante tanto física quanto mentalmente. Os dois aspectos devem ter o mesmo peso para vencer”, afirma.
A história também mostra que pedir ajuda nem sempre acontece de forma simples. Para o autor, a recuperação precisa ser retratada com seus altos e baixos, sem transformar a saúde mental em uma jornada perfeita.
“Muitos dos temas relacionados à saúde mental presentes no livro são pessoais. Existem partes de mim nessas páginas”, revela.
E onde entra o romance?
Bom, aí entra Diego. Enquanto Austin chega ao US Open ocupando a 239ª posição do ranking mundial, Diego é o número dois do mundo. Ele já disputou vários Grand Slams e é considerado o garoto de ouro do tênis.
Austin admira Diego como atleta e também fica curioso para conhecê-lo melhor. Depois de um encontro constrangedor em uma quadra de treino, os dois acabam se tornando amigos. Só que a amizade começa a ganhar outros contornos quando Austin passa a questionar se Diego também sente algo por ele.
E tudo fica ainda mais complicado quando eles descobrem que podem se enfrentar durante o torneio.
“Duas pessoas que estão se apaixonando querem exatamente a mesma coisa, vencer, e apenas uma delas pode conseguir”, explica Edward.
Para o autor, esse é justamente o charme de um romance entre rivais. O amor aproxima os dois, mas a competição continua existindo. Eles precisam aprender a lidar com sentimentos enquanto disputam o mesmo troféu.
Uma história sobre quem você já é
Apesar de abordar sexualidade e representatividade, Edward faz questão de destacar que Abrindo o Jogo não é uma história sobre se assumir:“Abrindo o Jogo não é uma história sobre se assumir, mas sobre já estar assumido.”
Austin não precisa descobrir quem é. Ele já sabe. O desafio está em viver sua identidade enquanto o mundo transforma isso em algo maior do que ele gostaria.
E essa foi uma das partes que mais aproximaram leitores do personagem. Edward conta que recebe mensagens de pessoas que se identificam com Austin, seja por serem o único garoto assumidamente gay de um time de tênis ou por enfrentarem dificuldades relacionadas à saúde mental.
“Espero que Abrindo o Jogo ajude essas pessoas a perceberem que são dignas de amor e alegria em um mundo que, às vezes, pode derrubá-las.”
Mais histórias LGBTQIAPN+ no esporte
Para Edward, ainda existe muito espaço para histórias LGBTQIAPN+ no universo esportivo. E isso vale para livros, séries, filmes e também para a vida real.
O autor acredita que quanto mais essas histórias aparecem, mais fácil pode ser para atletas se sentirem seguros para falar sobre quem são.
“Estamos prontos para mais histórias LGBTQIAPN+ nos esportes, nas páginas, nas telas e na vida real.”
Em Abrindo o Jogo, Edward Schmit mistura tênis, romance, ansiedade e representatividade para contar uma história sobre um jovem que está tentando conquistar seu espaço sem abrir mão de quem é.
E talvez esse seja o ponto mais bonito da história de Austin: ele não precisa escolher entre ser atleta e ser ele mesmo. Pode ser os dois!










