O cantor e compositor britânico Cavetown está prestes a dar início a uma nova fase da carreira com o lançamento do álbum “Running With Scissors”, marcado para o dia 16 de janeiro de 2026. Independente e ativo na cena musical desde 2015, o artista conversou com o Festival Teen sobre o começo dessa nova era, as expectativas para o disco e os caminhos criativos que vêm guiando sua trajetória nos últimos anos.
Continuando, o álbum fala sobre amadurecimento. A experiência universal de encarar o mundo estranho fora de casa, estar perdido e se encontrar no mundo, cometer erros e se encontrar. Até agora para os preparativos de promoção, quatro singles foram lançados. Entre eles, “Rainbow Gal”. Confira abaixo:
E, o Festival Teen fez uma breve entrevista com Cavetown para saber um pouco mais sobre o álbum “Running With Scissors”!
Bate papo exclusivo com o FT!
Ao iniciarmos a entrevista, a primeira pergunta do FT foi sobre as expectativas de Robin (nome real de Cavetown) com essa nova era, considerando que ele vêm lançando músicas de forma independente há 10 anos. Ele começou declarando orgulho que sente falando de “Running With Scissors”.
“Eu escrevo músicas como uma forma de terapia para mim mesmo, eu me ensino a processar sentimentos por meio da música. Eu tento acessar sentimentos que tenho dificuldade de transmitir pelas minhas canções.”, declarou, Cavetown.
Ainda falando sobre o processo seletivo, ele continuou: “Eu tomei muitos riscos criativos e líricos, tentei relacionar amor e raiva. Para mim, de algumas maneiras o amor não existe sem a raiva, e a raiva não existe sem o amor“. Além disso, também lembrou de não colocar muita pressão em si mesmo com o lançamento do álbum como fez com projetos passados.
“Espero que as pessoas possam ouvir novos sentimentos meus, ouvir a minha raiva e que se sintam solidários com a minha raiva. E que também se sintam empoderados por causa dos meus sentimentos, e possam se sentir mais poderosas na própria pele e como elas são ou na sua comunidade“, finalizou.
Da mesma forma, Robin também expressou o desejo de que fãs mais antigos possam ainda se conectar com suas músicas novas. “Acho que estou crescendo com os meus espectadores, espero que eles possam ouvir esse amadurecimento e se identificar com ele.”
A experiência queer e a arte
Outro aspecto importante de “Running With Scissors” é ser um álbum sobre crescer, sair da sua zona de conforto e encarar o mundo. Cavetown é um homem trans, então queríamos saber de qual forma a experiência de não ser cis gênero, impactou no processo de fazer o álbum.
Robin começa falando que sentiu mais fortemente uma forma de empoderamento com sua própria identidade. “Acho que o momento atual do mundo e da política me forçou a pensar assim. Algumas coisas na minha vida me fizeram expressar esse incômodo e raiva de como eu e minha comunidade estamos sendo tratados neste momento.” O cantor também lembra que, no passado, se sentia relutante em se manifestar tanto, já que para ele, tudo deveria ter uma solução.
Porém, nesse processo de amadurecimento e de escrita, percebeu que não. Os problemas podem ser apontados, a raiva pode ser expressada sem uma solução. Já que a raiva e o incômodo em si, já é uma manifestação.
“A comunidade [trans] inteira ter esse incômodo em comum já é empoderador. Para mim, esse é o caminho para uma mudança de fato. Essa minha raiva me faz exigir a minha existência e a existência de minha comunidade”. Sendo assim, Robin espera que essa mensagem possa ser entendida nas músicas, e que a raiva possa ser um elemento de validação para a comunidade.
Bastidores de produção
Finalizando, com a promoção do novo álbum, Cavetown já lançou alguns singles. Entre eles, o mais recente sendo “NPC”. O FT perguntou para Cavetown qual das músicas do disco ele gostava mais.
“Isso é difícil, porque eu amo todas as músicas”, declarou entre risadas. No entanto, logo revelou que a que mais se destaca para ele é a canção “Sailboat“. Ele escreveu essa música com uma amiga próxima, Chloe Moriondo, e relembrou de como cresceram juntos musicalmente. “Nós temos o mesmo perfil musical, e conseguimos colaborar com um artista de hyper pop que eu adoro! Essa é a primeira música que eu consegui fazer num grande hyper pop.”
Pelo seu estilo ser mais voltado para músicas lentas com pouco estímulo, Robin disse estar animado (e com um pouco de medo) de tocá-la ao vivo. “Tem muita coisa acontecendo, tem muita coisa para tocar mas achei que seria um problema para o meu eu do futuro… Bem, o eu do futuro está tendo esse problema agora. Mas acredito que essa seja a essência do álbum, me forçar a fazer coisas fora da minha zona de conforto.”
Apesar do incômodo, há o amor
Abrindo ainda mais o coração, Cavetown também disse que a faixa “Sailboat” foi escrita sobre a sua namorada.
“Muitas das canções falam sobre meu relacionamento atual. É um sentimento novo que eu tenho, ela é minha melhor amiga. E é legal escrever uma música sem aquela preocupação de ‘Ah você gosta mesmo de mim?'”.
Assim, ele declara que a namorada é o seu ponto seguro, e que é um álbum cheio de sentimentos de amor e clareza sobre o relacionamento. Fofo, né? Outro ponto importante, é o amor pela família, e o nascimento de um irmão 26 anos mais novo que ele.
Além do lançamento do álbum, Cavetown está se preparando para uma turnê europeia, em Cingapura e na Austrália a partir de fevereiro do ano que vêm.
E aí, gostou do nosso bate papo? O FT vai dar play no álbum assim que sair!
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