Aos 17 anos, Agyei deixa de lado um pouco a atuação, para mergulhar no canto a partir de experiências reais, sobre aquela fase em que o relacionamento acaba, mas a rotina a dois ainda insiste em ficar… Além disso, ele aborda as dores de não ter mensagem para responder, assunto para contar, companhia no fim do dia ou alguém que já fazia parte da rotina sem você nem perceber.

E esse silêncio permitiu o nascimento de “I Hate Being Alone”, novo single de Agyei Augusto, onde o artista encontra-se num momento mais íntimo, vulnerável e sentimental, o lançamento transforma uma experiência real do artista em uma música sobre algo muito maior do que simplesmente “sentir saudade de um ex”: aprender a ficar sozinho depois de se acostumar a dividir a vida com alguém.

Quando alguém próximo vira um desconhecido

Agyei escreveu a faixa logo depois do fim de um relacionamento, com os sentimentos ainda recentes e bem intensos, o desafio era transformar uma história pessoal em algo no qual outras pessoas também pudessem se reconhecer. E talvez uma das frases que melhor explique a música esteja justamente em um de seus versos: “Quanto tempo faz que a gente nem se fala / Ou quando se encontra nem se olha na cara.”

Para o artista, existe algo especialmente estranho em perceber que alguém que conhecia sua rotina, seus pensamentos e suas histórias pode, de repente, parecer um completo desconhecido. Em entrevista com o FT, conta da parte mais díficil de transformar seu sentimento em música: “Eu não queria transformar a música apenas em um relato da minha história, porque esse é um sentimento que muita gente já viveu ou vai viver em algum momento”… É aí que “I Hate Being Alone” deixa de ser apenas uma música sobre um término, ela fala sobre a ausência que aparece depois dele!

The Weeknd na atmosfera, Jão no sentimento

Musicalmente, Agyei mergulha ainda mais no R&B, gênero que já vinha ganhando espaço em sua discografia. Produzida por DMAX, a faixa também se aproxima do pop contemporâneo e carrega uma referência fácil de reconhecer: The Weeknd. Agyei cita a construção de universos visuais, a sonoridade e a maneira como o canadense trabalha temas como desejo, solidão e vulnerabilidade como algumas de suas inspirações.

Mas existe Brasil nessa história!

Se The Weeknd aparece como uma referência sonora, Jão acabou entrando pelo lado emocional, por um motivo pessoal: a pessoa que inspirou “I Hate Being Alone” era fã do cantor brasileiro. Consequentemente, Agyei também passou a ouvir bastante suas músicas durante o relacionamento… Ele menciona que Jão tem uma capacidade muito grande de expressar sentimentos de uma forma verdadeira nas músicas, que é justamente uma coisa que eu também quis transmitir nesse lançamento!

E Agyei ainda brinca com uma possibilidade que certamente não desagradaria aos fãs: “Quem sabe ele não entra em um remix um dia?”

Da pista de dança para a bad

O momento também mostra uma característica que Agyei quer deixar cada vez mais clara: ele não pretende caber em uma única vibe… Antes de Agyei lançar “I Hate Being Alone”, músicas como “Baila Bebecita”, “Chega Mais” e “Só Penso em Você” mostraram outras versões do artista e chegaram a bailes charme, rodas de passinho e conteúdos de dança nas redes.

Agora, ele troca parte dessa energia pela vulnerabilidade, e a mudança não é exatamente uma ruptura: é uma continuação!

Desde o projeto “Agyei Na Área”, o cantor percebe uma evolução principalmente na maneira de escrever, construir suas músicas e enxergar a própria identidade artística. Se antes o público conhecia mais facilmente o Agyei da dança e da performance, agora começa a descobrir também aquele que transforma o que vive em composição, sem abandonar um para construir o outro.

“Posso falar de amor, de uma decepção, fazer uma música mais dançante ou falar dos meus sonhos e objetivos, mas sempre colocando um pouco de quem eu sou.”

E essa vontade de não ficar preso a uma única linguagem acompanha Agyei desde antes dos lançamentos musicais: aos 17 anos, ele já acumula experiências como ator, cantor, compositor, performer e dublador. Entre seus trabalhos está Nandinho, versão jovem de Nando em “Sintonia”, da Netflix.

Na música, porém, Agyei começa a desenhar uma identidade própria entre R&B, pop, soul e hip hop, usando justamente essa bagagem multidisciplinar para pensar além do áudio: performance, estética, interpretação e movimento fazem parte do mesmo projeto… Mas em “I Hate Being Alone” é a composição que assume o primeiro plano.

Não existe personagem para interpretar: é Agyei falando sobre Agyei.

Crescer também é aprender a ficar sozinho.

Existe uma ironia interessante em uma música chamada “I Hate Being Alone” surgir justamente em uma fase em que Agyei parece cada vez mais seguro sobre quem quer ser artisticamente, talvez porque amadurecer não seja necessariamente ter todas as respostas… Às vezes, é conseguir transformar aquilo que ainda machuca em alguma coisa que outras pessoas também possam sentir!

“I Hate Being Alone” nasce de um término, mas encontra força em uma sensação muito mais universal: o momento em que você percebe que não sente falta apenas de alguém, sente falta de quem você era quando aquela pessoa ainda fazia parte dos seus dias. E é com esse lado mais íntimo que Agyei lançou “I Hate Being Alone” nesta sexta-feira, 11 de setembro, abrindo mais um capítulo de uma fase em que vulnerabilidade, R&B e identidade caminham juntos.

Ouça já o EP nas plataformas de áudio.