O projeto apresenta um MC disposto a experimentar novas referências, mudar sua forma de pensar a própria música e ampliar os caminhos da carreira. Tudo isso sem abandonar aquilo que o trouxe até aqui. A estética brasileira que acompanha “A Era do Ouro” ajuda a contar essa história, mas a proposta não tem relação direta com futebol ou Copa do Mundo.
O Brasil aparece de outra maneira: nas referências, na origem do artista e na ideia de um sonho que continua existindo mesmo quando tudo ao redor muda. Para PH, o sonho brasileiro nunca passa!
Mais do que copiar uma sonoridade gringa, PH observa a forma como os artistas que o inspiram construíram suas carreiras. Ele também acompanha como atravessaram diferentes momentos e conseguiram se reinventar sem perder uma identidade própria. É exatamente esse movimento que ele tenta levar para “A Era do Ouro”.
O disco representa uma mudança na maneira como ele pensa sua música, sua imagem e o futuro da carreira. Ainda existe o MC conhecido pelo público, mas agora há uma preocupação maior em construir um projeto completo. Estética, referências e músicas passam a fazer parte da mesma ideia.
Do samba paulistano ao R&B internacional
As referências do álbum deixam isso claro. Uma das faixas se chama “Demônios da Garoa”, em referência ao tradicional grupo de samba de São Paulo. A escolha aproxima dois universos que pertencem a momentos diferentes da música brasileira. Apesar disso, os dois carregam algo em comum: a cidade e sua cultura.
PH também leva referências internacionais para o projeto. Uma das músicas utiliza sample de Chris Brown. Artistas como Drake e 50 Cent também aparecem como inspirações importantes na construção dessa nova fase.
O resultado é um álbum que não tenta escolher entre o que vem do Brasil e o que vem de fora. PH usa essas influências como parte da própria formação musical. Ele reúne diferentes referências em “A Era do Ouro”. O ouro não aparece apenas como símbolo de dinheiro ou sucesso. Para o artista, está ligado a uma fase em que tudo parece caminhar para uma nova dimensão da carreira.
“Blindado” mostra o lado mais pessoal do álbum
Mesmo com músicas explicitamente voltadas para festas e diversão, PH não considera A Era do Ouro um projeto vazio. A própria tracklist mostra esse contraste. As músicas mantêm a linguagem direta e provocativa que já faz parte do universo do artista. Mas existe também um lado mais pessoal.
Durante a entrevista para o Festival Teen, PH destacou “Blindado” como uma música que representa muito quem ele é. A faixa fala diretamente sobre essa ideia de estar em constante transformação sem perder a essência.
PH entende que sua carreira mudou, suas referências cresceram e sua maneira de pensar também se transformou. Ainda assim, existe uma parte dele que permanece intacta. É daí que vem o sentido de estar blindado. Não como alguém fechado para mudanças, mas justamente o contrário: alguém disposto a mudar sem deixar que isso apague suas raízes.
Esse talvez seja o principal fio que conecta “A Era do Ouro”. O álbum mostra um artista querendo alcançar outros lugares, experimentar novas possibilidades e ampliar sua música. Ao mesmo tempo, PH permanece consciente da trajetória que construiu até aqui.
A “Era do Ouro” não tenta transformar MC PH em outro artista!
Depois de construir seu espaço no funk brasileiro e colaborar com diferentes nomes da cena, PH começa a olhar para possibilidades cada vez maiores e mais internacionais.
Antes de pensar no que pode vir depois, existe uma preocupação imediata: que o público entenda a obra como um projeto completo. PH sabe que boa parte das músicas pode chamar atenção primeiro pela diversão, pelos refrões ou pelo conteúdo explícito.
Ainda assim, espera que os fãs consigam perceber o conceito por trás do álbum. A ideia também é que eles identifiquem um pouco de sua própria história nas faixas.
O disco fala justamente sobre a possibilidade de crescer sem precisar fazer isso. Mudar sem se perder, experimentar sem apagar a origem e continuar buscando o ouro sem esquecer de onde veio!










