Ele voltou com tudo! Na última sexta feira (11), o cantor Jão, estreiou a turnê Memórias Póstumas no Nubank Arena em São Paulo. O palco 360º, no meio do estádio, contou com uma estrutura de 30 metros de largura e um grande espelho d’água, digno de filme. Para cerca de 60 mil pessoas, Jão transformou o estádio em um verdadeiro espetáculo de ópera pop. Durante mais de 2h30 de apresentação, o cantor passeou por diferentes momentos da carreira e trouxe as músicas do novo álbum para uma experiência que misturou música, teatro, dança, água e muita pirotecnia.

Logo na entrada, já dava para perceber que aquela não seria uma noite comum. Ocupando praticamente todo o gramado, o palco permitia que o público acompanhasse o show de todos os lados. A nova configuração também deu liberdade para os bailarinos e músicos ocuparem diferentes pontos e alturas da estrutura.

Um show que começou no teatro

Antes mesmo de Jão aparecer, a atriz Isabel Teixeira tomou conta do palco. Admiradora do cantor, ela abriu a apresentação com o monólogo Estrela do Amanhã, de Manuel Bandeira. Depois da interpretação, Jão surgiu sentado em uma mesa iluminada apenas por um abajur. O clima misterioso deu espaço para os primeiros acordes de “Aurora”, faixa do Memórias Póstumas que já ultrapassou 7 milhões de reproduções no Spotify.

Enquanto o cantor começava a apresentação, bailarinos surgiam ao seu redor e os músicos apareciam em elevadores espalhados pelo palco. A coreografia também trouxe referências ao clipe da música, que ganhou destaque nas redes sociais. E se tinha uma coisa impossível de ignorar era a reação do público. O coro das 60 mil pessoas acompanhando Jão fazia parecer que o som ultrapassava os limites do estádio.

Palco 360º, água e Jão nas alturas

A grande novidade da noite foi, sem dúvidas, o palco 360º. Contudo, a estrutura não serviu apenas para deixar o show ainda mais grandioso, mas também mudou completamente a forma como as performances aconteciam.

O espelho d’água no centro do palco virou parte das coreografias de músicas como “Doce” e “Jabuticabeira”, criando momentos que pareciam ter saído diretamente de um filme.

Em “Acontece”, Jão foi ainda mais longe, literalmente. O cantor apareceu sentado em um piano suspenso a cerca de oito metros do chão. Primeiro, cantou e tocou sozinho. Depois, a banda entrou e levou a música para outro nível.

Foi nesse momento que Jão abriu o coração para os fãs e confessou: “Eu tenho medo de não me ouvir”. O estádio inteiro cantando com a alma todas as músicas emocionou o cantor.

Jão também voltou no tempo!

Apesar de apresentar uma nova era, o cantor não deixou os fãs sem aqueles momentos nostálgicos que fazem parte da sua história.

Durante “Ainda Te Amo”, Jão voltou para 2018, época em que começava sua carreira. As milhares de pulseiras de LED distribuídas pelo estádio acompanhavam a música e deixavam o público ainda mais dentro do espetáculo. O repertório também trouxe momentos de troca direta com a plateia. Antes de cantar “Tudo Me Lembra”, Jão falou sobre a importância dos detalhes no novo álbum e revelou que a próxima música seria sobre “os detalhes” de sua própria personalidade.

E a surpresa continuou em “Meninos e Meninas”, quando a deputada federal Erika Hilton apareceu no palco para uma homenagem à comunidade LGBTQIAPN+. Erika e Jão deram uma aula de representatividade e pertencimento.

Uma carta para os fãs

Aliás, para encerrar a noite, Jão preparou um momento especial. Antes de cantar “Catedral”, o artista leu uma carta dedicada ao público que estava ali acompanhando o início de uma nova fase de sua carreira. Jão recentemente perdeu seu pai, e essa música trouxe um sentimento único e especial.

“Catedral” representa um lugar sagrado para o cantor e, naquele momento, o palco se transformou justamente nisso: um espaço de encontro entre Jão e seus fãs. “Eu acho que só escrevi as letras desse disco pensando nesse momento de agora. Bem aqui”, declarou.

Depois de mais de duas horas de música, teatro, dança e emoção, Jão encerrou a estreia agradecendo aos fãs: “Obrigada por essa festa. Obrigada pela sua arte”. A noite marcou ainda mais um capítulo na relação do cantor com São Paulo. Antes de Memórias Póstumas, Jão já havia levado a SUPERTURNÊ ao Estádio do Palmeiras em três apresentações entre 2023 e 2024.

Sendo assim, Jão deixou o estádio dando flores aos fãs e mostrando o quanto é amado e ama o que faz. Agora, com uma nova era e um espetáculo completamente diferente, ele mostra que ainda tem muito para contar, e, principalmente, muitos palcos para transformar em histórias.