Poucos cineastas conseguem transformar a estreia de um filme em um verdadeiro acontecimento, e Christopher Nolan é um deles! Após o sucesso de “Oppenheimer” (2023), o diretor retorna às telonas com “A Odisseia”, adaptação do clássico poema de Homero que acompanha a longa jornada de Odisseu de volta a Ítaca depois da Guerra de Troia. Ao longo de quase três horas de filme, o cineasta conduz o público por uma aventura marcada por desafios, descobertas e emoções, criando uma experiência cinematográfica que prende a atenção do início ao fim. Leia nossa crítica e saiba o que achamos sobre o filme, com spoilers!

A humanidade por trás da jornada de Odisseu

Embora seja cercada por deuses, criaturas mitológicas e acontecimentos extraordinários, “A Odisseia” nunca depende apenas do fantástico para conquistar o público. Afinal, a força da história está nos sentimentos que atravessam gerações: o medo, a saudade, as perdas e a esperança de reencontrar aquilo que ficou para trás. Nolan entende essa essência e evita transformar o longa em uma sequência de grandes batalhas. Em vez disso, cada desafio enfrentado por Odisseu contribui para desenvolver sua trajetória, mostrando como a guerra modifica não apenas o destino de um homem, mas também sua forma de enxergar o mundo e aqueles que esperam por seu retorno.

Além disso, a presença dos deuses nunca ofusca o lado humano da narrativa. Athena (Zendaya) surge em momentos pontuais como uma guia da jornada de Odisseu, oferecendo conselhos e direcionando suas escolhas sem assumir o protagonismo da história. Já Calipso (Charlize Theron) desempenha um papel fundamental ao manter o herói em sua ilha durante sete anos, alimentando-o com flores de lótus que fazem suas memórias se tornarem nebulosas. É justamente a partir desse período que Odisseu passa a relembrar os acontecimentos de sua viagem.

(Foto: Divulgação)

Entre monstros, deuses e o desejo de voltar pra casa

Christopher Nolan potencializa alguns dos momentos mais marcantes da obra ao apostar em uma narrativa não linear. Em vez de acompanhar a jornada de Odisseu em ordem cronológica, o diretor distribui os acontecimentos ao longo do filme, permitindo que o público descubra aos poucos os desafios enfrentados pelo protagonista.

Entre eles, estão os ataques dos gigantes Lestrigões, o confronto com o ciclope Polifemo (Bill Irwin), que devora parte da tripulação, o encontro com Circe (Samantha Morton), que transforma os soldados em porcos após desrespeitarem sua hospitalidade, e o canto das sereias, cuja sedução coloca mais uma vez um dos personagens em perigo. Cada episódio amplia a sensação de aventura e reforça que a maior arma de Odisseu nem sempre é a força, mas sua inteligência diante do desconhecido.

Outro momento que merece destaque é a travessia entre o redemoinho de Caríbdis e a criatura Cila, um dos trechos mais tensos da narrativa. Com seis cabeças, o monstro devora seis soldados enquanto Odisseu tenta salvar o restante da tripulação, em uma decisão que evidencia o peso da liderança e dos sacrifícios exigidos durante a viagem. A passagem pelo submundo também acrescenta uma forte carga emocional ao longa, quando o protagonista encontra antigos companheiros mortos e busca respostas para seguir seu caminho.

Elenco de peso!

O elenco é um dos grandes atrativos da produção, reunindo grandes nomes do cinema para dar vida a personagens marcados pela mitologia grega. Matt Damon (Odisseu), Anne Hathaway (Penélope), Tom Holland (Telêmaco), Robert Pattinson (Antínoo), Zendaya (Atena), Charlize Theron (Calipso) e Lupita Nyong’o (Helena de Troia) estão entre os principais nomes da produção, que ainda conta com Samantha Morton (Circe), Benny Safdie (Agamenon) e Jon Bernthal (Menelau) em papéis que ajudam a expandir o universo criado por Christopher Nolan.

Entre todas as atuações, Matt Damon é quem mais se destaca. O ator entrega um Odisseu que vai além da imagem de um herói lendário, equilibrando força, inteligência e vulnerabilidade em uma interpretação que sustenta a narrativa do início ao fim. Com uma carreira consolidada no cinema, Damon demonstra segurança ao assumir o papel de um personagem conhecido por sua astúcia e resistência, mas que também carrega as marcas deixadas por uma longa jornada.

Além disso, outros nomes do elenco também contribuem para a narrativa. Robert Pattinson chama atenção pela intensidade e presença em cena, enquanto Anne Hathaway entrega uma atuação marcada pela força e carga emocional da personagem. Tom Holland acompanha a evolução do personagem ao longo da trama, reforçando os conflitos familiares presentes na história. Da mesma forma, Zendaya, Charlize Theron e Lupita Nyong’o ampliam o universo mitológico criado por Nolan. Embora reúna grandes nomes da indústria, o elenco funciona de maneira equilibrada, com algumas atuações naturalmente se destacando mais pelo impacto deixado na narrativa.

Vale a pena assistir?

Com certeza, sim! “A Odisseia” foi um daqueles filmes te faz sentir um pouco de tudo ao longo da sessão. Há momentos de tensão que prendem a respiração, cenas de contemplação que impressionam pela beleza e sequências de ação que fazem jus à grandiosidade da história. Christopher Nolan consegue equilibrar espetáculo e emoção sem perder de vista o que realmente move a narrativa: a longa jornada de Odisseu e tudo o que ela representa. Para quem aprecia grandes épicos, mitologia grega ou simplesmente gosta de viver uma experiência cinematográfica marcante, este é um filme que merece entrar na lista.

Com estreia marcada para o dia 16 de julho, a obra é um filme que merece ser visto da forma como foi concebido. Se houver uma sala IMAX perto de você, essa é, sem dúvida, a melhor escolha. Filmado inteiramente com câmeras IMAX, o longa ganha ainda mais força nesse formato e faz da sessão um encerramento à altura de uma jornada que vale cada minuto!