Preparados para o casório? “A Noiva!” dirigido por Maggie Gyllenhaal (“A Filha Perdida”), estreou no dia 05 de março e emerge no delírio criativo ao contar de forma diferente o mundo de Frankenstein. Porém, a trama falhou em chamar atenção do público, e com isso pode gerar um prejuízo alto para a Warner Bros. Pictures.

Assim como “A Noiva de Frankenstein” de Boris Karloff, esta é uma sequência do clássico “Frankenstein”, do mesmo diretor que se tornou um marco no sci-fi. Desta vez, acompanhamos a personagem interpretada por Jessie Buckley, de uma forma intensa, com referências pop e com um olhar para as pautas feministas.

Fracasso em bilheterias nos EUA

Inicialmente, a obra seria desenvolvida pela Netflix, mas devido aos altos custos da produção o streaming optou por descartar o projeto. Em seguida, a Warner Bros. Pictures assumiu o filme sem poupar recursos, com um elenco de primeira linha e dando vida as decisões criativas. Com um montante de US$90 milhões, que ainda não incluiu os US$65 milhões adicionais gastos com marketing e distribuição global.

Nesse sentido, o longa pode causar prejuízo para a produtora com um desempenho negativo nas bilheterias dos EUA, acumulando apenas US$7.3 milhões na primeira semana. Este seria o pior resultado da Warner desde “O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim”.

A trajetória de “A Noiva!”

O longa nós leva para a década de 1930, em que a cientista Dr. Euphronious traz uma jovem mulher de volta à vida para ser o par romântico do monstro. Assim como em “A Noiva de Frankenstein” de 1935, Elsa Lancaster aparece pela primeira vez como uma encarnação de Mary Shelley, a autora do romance “Frankenstein”. A diretora Gyllenhaal usa a mesma estratégia para trazer mais dramaticidade ao filme.

Dessa forma, Jessie Buckley também dá vida para a escritora, e narra como passou mais de um século em uma eternidade alternativa, presa nas ideas de sua própria obra-prima. Sendo assim, agora usa o corpo de Ida, também vivida por Buckley, para dar uma sequência para a história do monstro.

O filme surpreende ao colocar o desenvolvimento amoroso entre os personagens em segundo plano, dando enfoque para as questões pessoais de Ida, e do próprio Frankenstein (Christian Bale). A criatura que originou este universo lida com seus problemas de aparência e sua fascinação pelo cinema de Ronnie Reed (Jake Gyllenhaal).

A força feminina

A protagonista Jessie Buckley sabe os momentos de intensidade no filme. Desempenhando uma ótima posição no projeto, ela entende desde o humor até as cenas de causar estranheza. Com isso, o thriller gótico faz mais do que nos levar para um universo alternativo de Bonnie e Clyde, de forma que funciona muito pelo drama inserido pela atriz.

Portanto, ao longo da trama vamos descobrindo que “A Noiva!” não se trata de uma história de amor, mas sim de descobrimento da própria personagem. Somos também, introduzidos a grande a violência feminina que acontecia na cidade de Chicago, juntamente com o feminismo mascarado em pautas importantes dentro da obra.

Opinião final do FT

A trama entrega intensidade e humor somada a pautas relevantes e uma proposta cativante do universo de Frankenstein. Porém, alguma peça ainda fica faltando para conseguir emplacar o sucesso. O filme tem uma proposta interessante, mas acaba sendo cansativo de acompanhar. Gyllenhaal coloca muitas ideias em cena, de forma que nos sentimos em seu processo criativo, junto com a sensação de algo inacabado.

Por fim, a diretora entrega exatamente o que se propõe: um filme que não tem medo de arriscar. Ao assistir o longa, essa sensação fica evidente. Dessa forma, a trama consegue cativar ao apresentar o feminismo daquela época de maneira inesperada e provocativa. Confira o trailer de “A Noiva!” abaixo.