Nós assistimos e precisamos conversar sobre! “Insaciável (Saccharine)” é um filme de terror com elementos de body horror, dirigido por Natalie Erika James. A estreia está prevista para 6 de agosto de 2026, com distribuição da Diamond Films e possui um elenco de peso. Nomes como Midori Francis, Madeleine Madden e Danielle Macdonald fazem desta obra uma das principais do cinema em 2026, e vamos explicar o motivo.

Com cenas repugnantes e uma história que lembra “A Substância”, o filme mostra como a busca pelo corpo ideal pode consumir muito mais do que a aparência. Em uma época na qual medicamentos emagrecedores, dietas extremas e transformações físicas dominam as redes sociais, “Insaciável” encontra o momento perfeito para apresentar uma história peculiar, desconfortável e assustadoramente atual.

O filme acompanha Hana, uma estudante de medicina, que vive preocupada com seu corpo e com a perda de peso. Quando uma antiga amiga reaparece completamente transformada, Hana conhece uma suposta solução milagrosa para emagrecer: um medicamento produzido a partir de cinzas humanas. Mesmo sabendo de sua origem macabra, ela decide continuar o tratamento. A partir disso, o que parecia apenas mais uma tentativa de perder peso se transforma em um pesadelo físico e psicológico.

Uma fome que passa a controlar o corpo

O elemento mais interessante de “Insaciável” é a maneira como a fome ganha praticamente uma personalidade própria. Não se trata apenas de vontade de comer, mas de um espírito obsessor que invade Hana e começa a controlar seus pensamentos, suas atitudes e seu corpo. Em alguns momentos, existe a sensação de que há uma pessoa vivendo dentro de outra! Quanto mais Hana tenta alimentar essa presença, mais ela perde o domínio sobre si mesma. Dessa forma, a fome funciona como uma representação da obsessão: não importa o quanto ela consiga, nunca parece ser suficiente.

Esse conceito também se conecta ao próprio título. Hana não é a única personagem insaciável. Os pais querem controlar a vida da filha, a mãe deseja resolver todos os problemas e a sociedade nunca considera um corpo bom o bastante. Todos querem preencher alguma ausência, mesmo que isso acabe destruindo aquilo que já possuem.

Um terror corporal no estilo de “A Substância”

É impossível assistir ao filme sem lembrar de “A Substância”. Os dois usam o chamado body horror, ou terror corporal, para discutir a pressão estética e o desejo de modificar o próprio corpo. No entanto, enquanto “A Substância” aborda principalmente o medo do envelhecimento, “Insaciável” concentra sua crítica na obsessão pelo emagrecimento.

Nesse sentido, o medicamento fictício apresentado no filme também lembra as discussões atuais envolvendo remédios como o Mounjaro ou o Ozempic. A diferença é que o longa leva essa promessa de transformação rápida ao extremo: a pessoa aceita consumir algo repugnante porque acredita que o resultado final justificará qualquer sacrifício.

As cenas mais nojentas não existem somente para chocar. Elas mostram fisicamente o que a obsessão já havia causado na mente de Hana. Por isso, o filme pode parecer exagerado, mas seu exagero tem uma função: tornar visível uma pressão que muitas vezes acontece silenciosamente.

Não tratar a comida como a verdadeira vilã, o problema está na culpa, na falta de controle e na maneira como as personagens utilizam o próprio corpo para lidar com sentimentos que não conseguem expressar. Assim, comer demais e querer parar de comer aparecem como lados diferentes de um mesmo sofrimento. Em ambos os casos, as personagens procuram controlar alguma coisa porque sentem que perderam o controle de suas vidas.

Peculiar, repugnante e necessário

Durante grande parte da história, Hana está tão concentrada no que acredita estar faltando que não consegue reconhecer a bondade presente em sua vida. Ela deseja outro corpo, outra rotina e outra versão de si mesma, mas ignora as pessoas que demonstram carinho e preocupação. Esse talvez seja o lado mais triste do filme: a protagonista acredita que precisa se transformar para merecer afeto, quando, na realidade, já existiam pessoas dispostas a ajudá-la. Entretanto, ela só começa a perceber isso depois que sua obsessão provoca consequências quase irreversíveis.

“Insaciável” não é um filme agradável, e claramente não pretende ser. Algumas cenas são repugnantes, outras parecem estranhas e exageradas, mas esse desconforto combina com o assunto apresentado. Apesar de alguns momentos confusos, o longa consegue construir uma crítica forte sobre padrões de beleza, culpa, compulsão e controle familiar. Mais do que uma história sobre emagrecimento, é um filme sobre pessoas que tentam preencher vazios sem perceber aquilo de bom que já existe ao redor delas!

No final, a verdadeira ameaça não é apenas o espírito que invade Hana. É a ideia de que precisamos destruir quem somos para finalmente nos tornarmos dignos de amor.