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Bohemian Rhapsody: clássico ou passageiro?

Quando o trailer sobre a vida do mito e sua banda, Freddie Mercury e Queen, saiu pela primeira vez, lembro-me de estranhar aquelas figuras que pareciam tentar serem iguais aos músicos originais . Me questionava o motivo de precisarmos de um filme sobre ele agora? A pergunta ecoou por algum tempo na minha mente e logo vieram mais trailers, mais vídeos e eu me via em uma posição bastante negativa sobre aquela obra que parecia ser só mais uma história que queria lucrar sobre um chamariz tão importante para a cultura pop.
Me coloquei relutante até minutos antes de entrar na sala da sessão, mas tudo mudou logo nos primeiros segundos, enquanto a história biográfica começava em um dos shows mais importantes do Queen, o Live Aid. Assim como o legado que os quatro músicos deixaram em nossos corações, Bohemian Rhapsody é uma verdadeira lenda que  que conta a história de forma impactante sem ficar expondo ninguém de forma exagerada.

Aliás, expor Freddie seria uma tarefa difícil, ainda mais nos tempos estranhos, polarizados e recheados de preconceito que andamos passando. Mas como uma boa brisa no rosto, o filme nos traz amor do início ao fim, mostrando o cantor se relacionando com homens, mulheres, festas, amigos, família e encarando seu pior medo, ele mesmo em seu momento de solidão. Mesmo nas cenas em que é retratado o descobrimento da sua doença, a obra não deixa em nenhum momento as coisas caírem para o lado negativo, Freddie odiaria que ele e o seu legado fossem contados de qualquer outra forma que não como um grande espetáculo do Queen, recheado de músicas marcantes, pulos, rebolados e muita força, como quando ele levantava seu braço em frente a milhares de pessoas.
Apesar desses pontos positivos, podemos dizer que a história peca em muitos momentos, principalmente no seu primeiro ato. Se retrata pouco sobre o início da banda, a entrada de um músico importante no grupo e um dos melhores amigos que Freddie teve em vida, o baixista John Deacon, que é deixado de lado e parece um mero expectador na vida do cantor. O que, qualquer pessoa que conhece a história da banda, sabe que não é bem assim. Mas como a produção executiva foi feita pelo guitarrista Brian May, que não tinha lá uma relação muito próxima com o baixista, é esperado que essa amizade seja pouco trabalhada.

Além de erros históricos e momentos meramente fantasiosos para nos encher de lágrimas, é claro para qualquer fã da banda que o filme não sobreviveria por si só. Há dois ingredientes importantíssimos ali que sem eles não seria a mesma coisa: a ótima caracterização Rami Malek (da conceituada série, Mr Robot) e as clássicas canções do Queen, mostrando como a banda ainda tem uma força inacreditável.

 
Por mim, graças a esses detalhes e a força de atuação de Rami, o filme empolga e traz muito amor quando mostra o lado mais amoroso do cantor com as pessoas a sua volta e claro, quando sentimos a sua paixão infinita pela música. Assista o filme, se empolgue, ame e capte a mensagem que ele quer passar: não abaixe a cabeça para qualquer pessoa que queira te dizer como você deve ser, só seja.

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