Novo romance histórico LGBTQIAP+ da editora Plataforma21 é de tirar o fôlego do leitor com a primeira parte de uma duologia! Para começar, “As Palavras Não Ditas” do autor Gui Ribeiro, conta a história de Levi Proofwell um adolescente de 15 anos que vive em um internato cheio de regras. Se passa no século XIX na Inglaterra, ou seja, há várias normas sociais para seguir e uma única forma de agir.

Esse ambiente é extremamente rígido, e Levi tem a impressão de nunca se encaixar em lugar algum. É aí que passa a se refugiar na Biblioteca do internato, e acaba lendo cartas para tentar entender o que sente. E, importante lembrar que é um livro Dark Academia, ou seja, pode-se esperar uma ambientação acadêmica, livros, auto reflexão, e influências do movimento gótico. A gente adora, né?

Auto descoberta

Assim, Levi estava acostumado a levar essa vida monótona, onde se sente preso e estranho em relação ao ambiente ao seu redor. Combinado com a adolescência, onde nossos sentimentos se amplificam, já dá pra imaginar o terror né? Porém, isso tudo muda quando conhece o jovem Honorius Logan.

Aliás, Honorius Logan é o típico rebelde que é enviado a um internato para ser “consertado”. Os dois vão se aproximando por compartilharem o sentimento de não pertencimento, tirando o protagonista do isolamento. É aí que ele começa a compreender o que não entendia. Ao lado de Honorius, Levi aprende a desafiar as normas do internato e questiona as estruturas sociais da época.

Então, Levi passa a se impor, entender o seu local naquele mundo e, o principal, se permitir. As suas emoções não podem mais ser reprimidas, e ele passa a ter coragem para expressá-las.

Além disso, “As Palvras não ditas” também tem mais uma representatividade com o personagem principal. Levi é neurodivergente, o que eleva a riqueza da história. O século XIX foi uma época em que o Transtorno de Espectro Autista (TEA) não tinha nome e não era discutido.

Desobediência? Temos!

Sendo assim, o protagonista aprende a questionar os valores ensinados dentro daquele ambiente hostil, que reprime as vontades e identidades dos garotos do internato. Além de expor vários tipos de violência que eles sofrem. Um dos pontos altos do livro é justamente questionar as normas sociais que nos aprisionam, dando ao leitor espaço para ter coragem de ditar o que é seu. Sair de um padrão imposto é arriscado e têm suas consequências, mas pode ser libertador.

Para finalizar, “As palavras não ditas” tem vários elementos para quem gosta de tropes, algumas delas são: found family, strangers to lovers e primeiro amor. O romance de Levi e Honorius é libertador e bonito, feito de forma sensível. E você, já adicionou na lista de leitura?