O feed deixou de ser um reflexo e virou uma vitrine antipessoal, o oposto do Daily. Se, por um lado, são posts performáticos, fotos bem editadas com músicas minuciosamente bem pensadas, do outro, vemos uma forma de se expressar sem o julgamento constante, com pessoas selecionadas, uma forma de mostrar a verdadeira personalidade sem filtros.

Nos últimos anos, virou tendência entre os jovens terem contas secundárias, como Daily e PVD. São uma extensão da conta principal, com poucos seguidores, e uma forma mais confortável e descontraída de postar. A conta principal continua lá, porém com o papel de cartão de visita, enquanto as variantes de contas secundárias surgem para mostrar o que realmente é interessante: a vida real. Nelas, não existe a obrigação de agradar ou o medo de estar passando vergonha. Aliás, é justamente isso que torna elas tão atraente aos olhos dos jovens.

O lado privado da vida pública

Em uma era marcada pela superexposição e identidades performáticas, o real vira ouro. Muitos perfis públicos estão aderindo a contas secundárias. Não é sobre afastar o público, muito pelo contrário: é sobre criar uma conexão real e mais íntima com quem realmente acompanha, uma forma de transformar seguidores em amigos.

As influenciadoras Camila Dal e Yasmin Takada, por exemplo, são referências quando o assunto é Daily. Ambas somam mais de 200 mil seguidores em suas contas secundárias. Ou seja, o interesse vai além da estética perfeita e no feed bem organizado. Agora o foco está na rotina e no processo de vida que cada uma leva.

O assunto falado lá? De tudo um pouco, desabafos, moda, dicas, bastidores e assuntos comuns do dia a dia. É como estar em videochamada com uma amiga, você passa a acompanhar de perto a rotina e os pensamentos de alguém que antes só se via o superficial.

Desta forma compreendemos que o crescimento destas contas secundárias, como o Daily, vai além de uma tendência digital. Eles mostraram o cansaço coletivo da tentativa da performance da vida e da imagem perfeita, reforçando a busca pela autenticidade e personalidade. Enquanto um cobra a perfeição, o outro acolhe as imperfeições, tornando-se algo mais fluido e orgânico. Quem sabe se, nesse ambiente mais autêntico, as redes sociais voltem a cumprir o seu objetivo de conectar e não performar.

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