Fazer um prequel, série que acontece antes da obra original, nunca é uma tarefa fácil! No entanto, quando se trata de um clássico da cultura pop, o desafio é ainda maior. Como diria Elle Woods: “What, like it’s hard?”

A série “Elle”, do Prime Video, funciona como um prequel do icônico filme “Legalmente Loira” e conta com Reese Witherspoon como produtora executiva. A história se passa em 1995, bem antes de a loira geminiana conquistar Harvard. E, se a vida universitária já foi complicada, o ensino médio conseguiu ser ainda pior.

O início da trajetória de uma geminiana vegetariana

Na série, acompanhamos Elle Woods aos 16 anos e o drama de uma mudança repentina de Los Angeles para Seattle, que vira sua vida de cabeça para baixo. Em meio a muitos altos e baixos, vemos uma versão da personagem que ainda está em desenvolvimento. Dessa forma, é justamente essa fase que ajuda a explicar quem Elle vai se tornar no futuro.

Grande parte desse mérito vem de Lexi Minetree, que dá vida à jovem Elle Woods. Nesse sentido, a atriz consegue encontrar seu próprio espaço ao apresentar uma protagonista mais jovem, ingênua e emocional. Ao mesmo tempo, ela não perde o carisma que tornou a personagem um ícone.

Por se passar antes dos acontecimentos de “Legalmente Loira”, a série acaba ficando um pouco presa ao que o público já conhece sobre o destino da protagonista. Em alguns momentos, isso limita as surpresas da narrativa. Mesmo assim, a produção consegue lidar muito bem com a responsabilidade de expandir uma história tão conhecida.

Uma Elle com identidade própria

O maior acerto da série está justamente na evolução da personagem. Mesmo sendo um prequel, “Elle” constrói uma trajetória de amadurecimento que faz sentido dentro daquele universo. Além disso, a produção evita transformar a protagonista em uma simples cópia da versão interpretada por Reese Witherspoon.

Existe uma preocupação em diferenciar as duas fases da personagem. Afinal, embora seja a mesma pessoa, estamos acompanhando momentos completamente diferentes de sua vida.

Lexi entrega uma atuação excelente e extremamente carismática. Por um lado, ela resgata a essência da Elle dos filmes, mantendo os trejeitos e a energia que fizeram a personagem virar um ícone dos anos 2000. Por outro, imprime sua própria personalidade à protagonista.

Como resultado, temos uma Elle mais inocente, imatura e dramática, o que faz total sentido para a proposta da série. Assim, Lexi Minetree consegue honrar a personagem sem deixar de construir uma versão própria.

Mais do que rosa: uma estética com personalidade

Além da história, a série entende exatamente a estética que os fãs esperavam. Os figurinos são marcantes, com peças que conversam diretamente com o estilo da produção. Ao mesmo tempo, eles fazem diversas referências a estilistas, personalidades marcantes e ao clássico original.

As cores vibrantes e a trilha sonora também são grandes acertos da produção. Com isso, a série reforça sua identidade e transporta o público para o universo de Elle Woods.

Tudo isso ajuda a criar uma sensação de nostalgia e conforto, sem parecer ultrapassado. Pelo contrário, “Elle” mostra que é possível revisitar a identidade visual de “Legalmente Loira” de uma forma atual e atemporal.

Vale a pena assistir?

No fim, “Elle” prova que ainda existe espaço para revisitar personagens clássicos, principalmente quando eles ainda têm histórias para contar, seja depois ou até mesmo antes da obra original. A série não tenta substituir nem copiar “Legalmente Loira”. Talvez esse seja seu maior mérito: fazer algo novo sem apagar o que veio antes.

Em vez disso, cria uma identidade própria para essa nova fase da personagem e mostra que o universo de Elle Woods ainda tem muito potencial.