CRÍTICA: ‘Frozen 2’ eleva Elsa à máxima potência

“Quando você vai se ver do jeito que eu te vejo?”, pergunta Anna para Elsa logo no início de Frozen 2. Um dos motes do novo filme é a inquietação de Elsa em relação aos seus poderes – de onde eles vêm e qual o motivo de ela os possuir. Se no longa original, de 2013, tais poderes a deixavam amedrontada e solitária, agora dão à ela a sensação de inadequação.

Elsa, ao se sentir inadequada por ser diferente, de fato não se vê como é. Ela é hoje uma das mais emblemáticas personagens femininas do cinema do século 21, protagonista da animação de maior sucesso financeiro de todos os tempos. Em Frozen ela rompeu com a opressão de manter seus poderes sob controle e se revelou na emblemática canção Let it Go. Em Frozen 2 é hora de Elsa entender quem ela é e se aceitar.

Para isso, a personagem parte para uma jornada de autoconhecimento que mistura mistérios do seu passado e grandes forças da natureza. Todos ao seu redor são elementos secundários, mas tem sua importância: Anna, que conduz a historia do primeiro longa, agora precisa entender que seu amor não é o suficiente para manter a irmã por perto – o que desenrola uma trama de ruptura de laços afetivos. Olaf e Kristoff são o alivio cômico: o boneco de neve, sempre alheio ao que se passa ao seu redor, começa a lidar com emoções “maduras”, e Kristoff contraria uma tradição de personagens masculinos heroicos e provedores ao se revelar um apaixonado incorrigível.

Mas o filme é de Elsa. Frozen 2 eleva os poderes dela à máxima potência, mas seu conflito é interno, tanto que o filme dispensa a presença de vilões: trata-se de um mergulho em si mesma, e a força dessa nova história está em sua profundidade emocional. A imagem de Elsa livre, descalça, com os cabelos soltos, cavalgando sobre a água é a concepção visual de onde a personagem chega ao se conectar com o que há dentro dela – algo muito mais poderoso do que seus poderes congelantes.

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